terça-feira, 22 de novembro de 2011

Como as ondas do mar

 Acometido por profundas saudades da minha filha Rebeca, encontrei na lembrança excelente remédio para curar a dor que sentia. Como me fez bem recordar os momentos que desfrutamos juntos. A minha mente trazia à memória momentos vividos de maneira tão real que era como se estivessem acontecendo novamente com a mesma intensidade de antes. Como raios em dias de fortes chuvas, as lembranças começaram a disparar em minha mente. Lembrei-me do seu jeito bebê de ser, dos seus primeiros passos, do dia que me chamou pela primeira vez de pai, do sorriso que desenhava no rosto ao ver na cama a boneca que queria ganhar. Lembrei-me das etapas acadêmicas desde o Jardim, quando escreveu meu nome – com letra de médico – em uma folha de caderno, até a sua Graduação em psicologia. Lembrei-me do tempo em que a carregava no colo para irmos à IP Filadélfia, em São Caetano, do seu batismo na mesma igreja, da sua pública profissão de fé, na IP Parada XV de Novembro, do seu empenho como professora de adolescentes, do seu compromisso como uma das organizadoras dos eventos da IP Itaquera, do seu profissionalismo nas empresas que trabalhou, e das noites que ia buscá-la na estação Arthur Alvim. Claro, lembrei-me do dia 27/12/2010, no aeroporto de Guarulhos. Nesse dia estávamos juntos, ela com pouca bagagem e muitos sonhos no coração, eu quase sem coração. Contra mim o tempo, pois em menos de 2 horas, 26 anos de convívio seriam interrompidos pelo abismo de 1 ano de ausência que se estabeleceria entre nós. Ela embarcaria para os Estados Unidos em busca dos seus sonhos, eu ficaria sonhando com a sua volta. Amados, que privilégio é poder ter na memória lembranças de momentos que marcaram a nossa vida, e poder recorrer a eles quando a dor da saudade apertar o nosso peito. Creio piamente que ter lembranças é um presente que Deus bondosamente nos dá. Comparo-as com as ondas do mar, que batendo todos os dias nas pedras das encostas vão lapidando-as. Assim, as nossas lembranças vão lapidando as nossas saudades dia a dia. Quando a saudade aumenta a lembrança vem como as grandes ondas do mar, envolvendo-nos com seu bálsamo refrescante, confortando o nosso coração. Queridos é uma bênção recordar os bons momentos que vivemos. Agradeça a Deus pelas lembranças que você tem, lembranças que Ele perpetuou em teu coração, gravando-as em tua memória para o teu bem.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Levando flores para o lar

Não parei para contá-las, porque mais do que números o que me chamou a atenção foi ver o que elas estavam fazendo. Todas elas estavam trabalhando com um compromisso invejável, com uma disposição de dar gosto e com uma harmonia raramente vista entre nós. Elas eram formigas, sim formiguinhas. Atentamente comecei a observar de onde elas vinham e para aonde iam. Na calçada se formou um corredor de mão dupla, e um trânsito enorme de formigas era possível de ser visto do outro lado da rua. Elas estavam tão ocupadas que não deram a mínima para um gigante de 1,78 metros de altura e mais de 90 quilos que estava ali bem perto delas. Obstinadas em carregarem folhas para as suas casas, diga-se de passagem, autênticas obras de engenharia, e assim terem provisões em tempos difíceis, elas desafiaram todas as barreiras possíveis que poderiam vir sobre elas, inclusive uma chuva repentina e assim serem arrastadas pela enxurrada e verem todo o sonho se acabar. De repente, dentre tantas formigas, uma chama a minha atenção. Ela carregava uma folha que era muito maior do que ela. O seu esforço estava sendo além das suas próprias forças. Era pesado de mais para ela aquele pedaço de folha, mas ela não desistiu de carregá-lo, ela queria cumprir seu compromisso de levar aquela folha ao seu lar. Para essa formiguinha não importava o peso nem o tamanho da folha que teria de carregar. Ela não olha para a folha, mas sim para o seu lar. Ela sabe da importância que aquela folha tem para a manutenção da sua família. É a sua família que a motiva a carregar aquela folha. Claro que ela poderia fazer como as outras formigas e pegar uma folha menor, mas isso resultaria em trabalho infrutífero, pois mais do que qualquer outra formiga, ela sabia das necessidades da sua casa. Pegar uma folha menor significaria maquiar o problema, significaria tapar o sol com a peneira. Queridos, às vezes, não queremos carregar “folhas” pesadas e ficamos a procura de folhas mais leves, e isso não é bom. Devemos fazer como a formiguinha que não desistiu de levar para o seu lar uma folha bem maior do que ela, superando todas as dificuldades para alcançar o seu objetivo. É verdade irmãos, às vezes, temos que fazer mais esforço do que os outros para levar “folhas” para abençoar o nosso lar. Pode ser que o nosso lar precise de “folhas” maiores do que o lar do outro.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Pratos e copos

Manhã fria e cinzenta. Céu serrado. A casa está muito gelada. O termômetro na parede marca oito graus centígrados. Janelas e portas fechadas não são suficientes para impedir o frio que insiste em entrar pelas frestas. Na gaiola o canário canta solitário. Lá fora o vento forte e animado não pára de entoar a sua melodia e árvores, flores e plantas, como que dançando, acompanham o seu ritmo, mas a dinâmica da casa não muda. Com os ouvidos bem atentos é possível ouvir, lá no fundo, a máquina de lavar roupa funcionando. Na cozinha, a mãe lava a louça que ficou do jantar e do café da manhã com luvas de borracha para proteger as mãos da água fria, quase petrificada. O chiado da panela de pressão toma conta do ambiente, indicando que o feijão está sendo cozido. O almoço precisa ser servido no horário. Totalmente envolvida em seus afazeres, a esposa percebe a chegada do marido. Pensando em abraçá-lo assim que entrasse à cozinha, ela começa a tirar as luvas de borrachas e num gesto involuntário bate a mão no escorredor de louças que estava à esquerda na pia. Pratos e copos ao caírem no chão se quebram, e vidros são estilhaçados por todos os cantos da cozinha. O barulho é tão grande que chama a atenção não apenas do pai que está chegando, mas também do filho que já está em casa. Ambos correm para a cozinha perguntando o que aconteceu. Chateada, com o acidente, a esposa diz: Não foi nada. Quebrei alguns pratos e copos. Imediatamente, pai e filho começam a limpar a cozinha. Enquanto um varre; o outro, com uma “pazinha”, coloca os cacos de vidros no lixo, sob o olhar atento da mãe que pede para tomarem cuidado para não se machucarem. Objetivando limpar bem toda a cozinha, todos tiveram que, em um dado momento, se abaixar para ver se não ficou nenhum caco de vidro pelo chão. Amados, pratos e copos podem simbolizar relacionamentos que se quebraram dentro da nossa casa, que por uma ou outra razão escaparam das nossas mãos e caíram. É preciso tomar atitude. Cada um deve procurar fazer a sua parte, para juntos resolver o problema. Cacos de vidro não podem ficar no chão. Não podemos admitir que pratos e copos simplesmente escapem das nossas mãos e se quebrem diante dos nossos olhos.

Flores na Radial Leste

A “Radial Leste”, batizada assim pelos moradores da região, é uma importante via da Cidade de São Paulo, cruzando todo o eixo leste até o centro. Ela facilita a vida dos moradores da região. Os bairros de Itaquera e Guaianases, por exemplo, são conhecidos como “bairros dormitório” porque a maioria dos seus moradores trabalha no centro ou em outra região, vindo para casa apenas para dormir, veja então como ela é importante. Ao ouvirmos falar da “Radial Leste”, as coisas que vem em nossa mente estão sempre associadas prioritariamente ao trânsito caótico de São Paulo. É verdade que nela o trânsito é intenso, quase insuportável no horário de pico. A lista de acidentes diários é impressionante, e eles são de todos os tipos e acontecem todas as horas. Estatisticamente o número de atropelamentos, colisões e acidentes fatais envolvendo principalmente motoqueiros é assustador. A “Radial Leste” ficou famosa e semanalmente aparece nos noticiários televisivos de emissoras diferentes. Além das marcas negativas que tem de carregar sobre seus ombros por conta da violência do trânsito, somasse ao seu curriculum vitae os problemas com a natureza, ou seja, choveu ela fica alagada. Amados, por mais de treze anos ininterruptos enfrentei a “Radial Leste” de segunda a sexta-feira, 50 km por dia, levantando às 05h30 da manhã para levar meus filhos ao Mackenzie. Realmente vi muitos acidentes, alguns tão feios que prefiro não comentar. Graças a Deus não provoquei nenhum acidente, mas sofri um. Felizmente tive apenas prejuízo material. Nesses anos que Deus me permitiu atravessar a “Radial”, Ele bondosamente trabalhou comigo. Por muitas vezes, Deus me fez ver belas flores. Sim belas flores nasceram em meio os concretos que separavam as vias. Em meio a todo o tipo de poluição lá estavam elas enfeitando a “Radial” com a singeleza das suas cores e resistindo a chuva, ao frio e ao calor mostravam a força para viver. Foi então que pude perceber que Deus estava abençoando os meus olhos para eu pudesse ver coisas maravilhosas em meio ao caos. Lembrei-me da música “nos galhos secos”, e, chorando de alegria, agradeci ao Pai pela lição aprendida.Irmãos, se Deus nos permite ver que flores nascem na “Radial Leste”, sem que ninguém é claro as plantasse, é porque Ele quer que vejamos as coisas maravilhosas que Ele tem feito em nossas vidas, a despeito do caos que muitas vezes nos cercam.